PERFIL ALIMENTAR E NUTRICIONAL DE DUAS COMUNIDADES RIBEIRINHAS TRADICIONAIS DO PANTANAL SUL-MATO-GROSSENSE

  • Bruna Fernanda Antonio CLÍMACO
  • Rita de Cassia Bertolo Martins
  • Beatriz Lima de Paula SILVA

Resumo

Práticas alimentares tradicionais tem sido abandonadas por comunidades ribeirinhas, no Brasil. A adesão cada vez maior a alimentos industrializados tem impactado negativamente no estado de saúde dessas famílias. Objetivo: Identificar diferenças no estado nutricional e consumo alimentar habitual de famílias ribeirinhas residentes em duas Comunidades do pantanal Sul-Mato-Grossense, município de Corumbá. Material e Métodos: Estudo transversal e descritivo com 65 ribeirinhos de 27 famílias, sendo uma comunidade mais próxima e outra mais distante da cidade. Foram coletados dados sociodemográficos, de saúde, antropométricos (peso e altura) e de consumo alimentar.  O estado nutricional foi classificado a partir do Índice de Massa Corporal por fase de vida. O consumo alimentar foi avaliado conforme frequência (≥5 dia/semana) dos grupos alimentares saudáveis e não saudáveis. Resultados: Observou-se diferenças estatísticas (p<0,05) entre as duas comunidades com relação à ocupação, prática de cultivo de alimentos, consumo de carnes e de peixes. Com relação ao estado nutricional, verificou-se que na comunidade mais próxima da cidade, as prevalências de excesso de peso (56,4%) e de consumo de carnes (64,3%) e biscoitos industrializados (57,2%) foi mais elevada que na comunidade mais distante, esta última apresentou práticas mais tradicionais, dentre elas o consumo de peixes ≥5 dia/semana por 92,3% das famílias. O consumo de hortifrútis e laticínios foi inadequado nas duas comunidades. Conclusão: Os resultados apontam efeitos do fenômeno da transição nutricional entre os ribeirinhos, principalmente na comunidade com maior proximidade à área urbana, onde o excesso de peso predomina entre os moradores.

Publicado
2021-10-07
Seção
Artigos Originais