Degradação do solo

práticas de recuperação realizadas no projeto Terra Cura

  • Nathalia Fernanda Menezes Adão Centro Universitario São Lucas

Resumo

Sendo o maior bioma encontrado no planeta, os ecossistemas amazônicos contribuem com serviços ambientais tanto em nível local como global. Conforme as ocupações humanas crescem e os manejos para fins agropecuários tradicionais, tais como monoculturas e campos abertos para criação animal, o ato de preservação do solo está cada vez mais complexo, causando, entre outros problemas ambientais, a degradação do solo que consiste em um esgotamento de nutrientes essenciais à saúde do solo causado principalmente pelo vento e a chuva quando sua superfície fica desprotegida; sendo a erosão uma das formas mais comuns de degradação do solo fazendo com que haja um deslocamento da superfície. Uma grande região que sofre com problemas de degradação do solo próximo às cidades de Porto Velho e Candeias do Jamari do estado de Rondônia se encontra o teatro da Jerusalém da Amazônia, que é o maior teatro a céu aberto da região norte do Brasil. Pensando nessa infertilidade crescente que ocupa áreas que sofrem de erosão, o projeto Terra Cura que desde 2016 tinha como objetivo inicial o reflorestamento de uma parte dos 7 hectares que esta área ocupa. Em 2021 o projeto já desenvolve práticas permaculturais de bioconstrução, agroflorestal sendo esta uma importante prática que beneficia áreas degradadas, como também desenvolveram um viveiro com mudas de interesse para planos agroflorestais como também ornamentais. Dentre os 7 hectares presentes nesta área, desde 2016 o projeto já reflorestou cerca de 3 hectares, sendo que alguns exemplos de culturas que são de extrema importância para estas práticas de recuperação de áreas estão a Hevea brasiliensis (seringueira),  Bertholletia excelsa (castanheira), Hymenaea courbaril (jatobá), Bambusoideae (bambu), Musa spp. (bananeira), Psidium guajava (goiabeira), Theobroma grandiflorum (cupuaçu) e palmeiras como Euterpe oleraceae (açaí), Cocos nucifera (coqueiro) e Astrocaryum aculeatum (tucumã) que são de extrema relevância em dimensões ambientais, econômicas e sociais. Nesta área encontra-se distribuídos nove canteiros, sendo o primeiro o bambuzal que está na área em que o solo já havia iniciado o processo de sedimentação da mata ciliar de uma parte do Rio das Garças, posteriormente encontra-se o canteiro A que também está situado em uma área que tinha possibilidade de desbarrancamento, sendo que ao lado deste canteiro encontra-se uma descida com barreiras para contenção de água da chuva feitas com madeira. Com consórcios bem estruturados, os sistemas agroflorestais para o âmbito de recuperação devem adotar aspectos como materiais já disponíveis na região, assim dando preferência a espécies nativas, a ambiência de cada local e também quanto à domesticação, levando em consideração o comportamento de cada cultura em consorcio com outras plantas. Os benefícios que este tipo de sistema proporciona vão muito além dos ambientais, como também dos econômicos, levando em consideração que existem diversas culturas que podem ser comercializadas, sendo que esta rotação dificilmente abordará apenas um só período do ano. Os sistemas agroflorestais conseguem associar espécies arbóreas, sendo frutíferas e madeireiras, com cultivos agrícolas e até mesmo animais de interesse econômico. Sendo assim uma ótima opção para ocupar o lugar das práticas que colocam a saúde do solo em perigo, como o plantio de monoculturas, que por não ter uma rotação de culturas acabam por diminuir a fertilidade do solo, como também para a criação de animais de interesse econômico em áreas totalmente desmatadas. Como relatado anteriormente, os animais de interesse também cabem nestes consórcios sendo de grande valia para a sanidade animal que produzem melhor quando não estão sob estresse, principalmente causados por raios solares. Aos agradecimentos desejo salientar a importância do trabalho do Projeto Terra Cura para a conservação de áreas degradadas como também para a popularização de projetos sustentáveis como de bioconstrução e de agrofloresta, feito com tanto amor pelas criadoras Luana Lopes e sua mãe Almira Lopes.

Publicado
2021-09-20